sexta-feira, 18 de agosto de 2017

O Tribunal do Júri foi adiado para o mês de outubro.

Julgamento do fazendeiro acusado de mortes de invasores em Cujubim é adiado, advogado é multado em mais de R$ 50 mil

O Tribunal do Júri foi adiado para o mês de outubro.

O Tribunal do Júri que seria realizado nos dias 15 a 18 de agosto (de terça a sexta-feira) na Comarca de Ariquemes acabou sendo adiado após um dos advogados de um dos réus não comparecer na abertura da sessão de julgamento.


O Tribunal do Júri estava preparado para julgar os réus: Sérgio Sussumu Suganuma; Paulo Iwakami; Rivaldo de Souza; Moisés Ferreira de Souza e Jonas Augusto dos Santos Silva pelas mortes de integrantes de movimentos de sem terras que teriam invadido a Fazenda Tucumã, zona rural de Cujubim.


De acordo com a ata da sessão que seria presidida pelo juiz de Direito Alex Balmant, o início da sessão de julgamento foi prejudicado por dois imprevistos, o primeiro foi à ausência de um dos advogados por motivos de saúde que apresentou atestado médico e, o outro pelo não comparecimento de um dos advogados que pediu a renúncia protocolada às 08 horas do dia do Julgamento e com ciência do réu, que solicitou prazo maior para constituir novo advogado.


Diante dos fatos o Juiz Alex Balmant acabou adiando o Julgamento para o mês de outubro e multou um dos advogados em 60 salários mínimos que deverá ser pago em 10 dias.

- Inicialmente, verifica-se que o advogado Dr. J.C.S.S., foi constituído pelo réu Rivaldo de Souza desde o nascedouro da presente ação penal, inclusive durante o tramitar do inquérito policial, acompanhando todos os atos processuais, manejando os recursos cabíveis, recebendo carga dos autos por inúmeras vezes. Agora, no dia do julgamento, esteve presente no plenário e protocolou o aludido pedido de adiamento no cartório. O advogado poderá, a qualquer tempo, renunciar ao mandato, provando que cientificou o mandante, a fim de que este nomeie sucessor. Durante os 10 (dez) dias seguintes, o advogado continuará a representar o mandante, desde que necessário para lhe evitar prejuízo."

Por tal dispositivo, é de concluir que o advogado deveria continuar o patrocínio da causa, eis que o prejuízo para seu cliente é evidente, eis que encontra-se preso há mais de um ano. Diante do exposto, pelos fundamentos expendidos alhures, considerando a ausência injustificada do advogado Dr. J.C.S.S., que apesar de devidamente intimado não compareceu à solenidade, o que inviabiliza a realização do julgamento, redesigno a solenidade para o dia 23.10.2017, às 08:00 horas, podendo se estender, no mínimo até o dia 27.10.2017.


Além disto, assegura ao magistrado a possibilidade de impor uma penalidade aos advogados que se portarem de forma irresponsável perante o Poder Judiciário, o que aproxima o nosso sistema processual penal do chamado contempt of court power, bastante utilizado no direito estadunidense.

Verifica-se que o advogado foi intimado pessoalmente há muito tempo e poderia ter adotado outro comportamento, mas manteve-se silente, demonstrando, assim, desídia processual com o seu cliente, com os demais réus, e com o Poder Judiciário. Logo, com esse enfoque, não me resta alternativa, senão aplicar ao advogado, dentro de um critério de proporcionalidade, a multa de 60 (sessenta) salário mínimo, a serem recolhidos no prazo de 10 (dez) dias.

Justificativa da multa

- Tomo esta decisão ante a conduta desidiosa do advogado em não comparecer ao julgamento, acarretando assim, demora na tramitação do feito e despesas injustificadas para o Poder Judiciário. Ora, no caso, 33 jurados foram convocados, testemunhas se deslocaram para prestar seus depoimentos, inclusive da capital federal, acompanhadas de escolta, eis que submetidas ao sistema de proteção. Inúmeros policiais militares foram requisitados e a causa da não realização da solenidade se deu, exclusivamente, por conta da conduta desidiosa do causídico.

Acusação

Consta na sentença do Juízo da 1ª Vara Criminal da comarca de Ariquemes, que os crimes ocorreram nas proximidades das Fazendas Tucumã e Santa Maria. O motivo dos homicídios, segundo a decisão, foi de que as vítimas, juntamente com outros sem-terra, haviam invadido a fazenda Tucumã, da qual foram despejados judicialmente por duas vezes.

Na última reintegração de posse e despejo, muitos invasores saíram da fazenda Tucumã sem levar os seus pertences, dentre eles estavam as vítimas, que ao retornarem para pegá-los foram surpreendidos e perseguidos por policiais contratados para tal fim, dotados de habilidades especiais e experiência profissional, que se utilizaram do poder do estado para empregarem ao interesse privado com a finalidade criminosa em troca de dinheiro.

Consta que Paulo Paulo Iwakami (o japonês) foi quem contratou o seu amigo de infância, Sérgio Sussumu Suganuma, por 105 mil reais. Este, por sua vez, contratou policiais experientes, os quais em vez de defender os interesses do estado e do cidadão de bem, se utilizaram do conhecimento tático e se dispuseram ao ato criminoso.

Com o grupo foi apreendido um arsenal de armas, como metralhadora, espingardas, revolveres e munições, entre outros equipamentos utilizados em combate.

Ação Penal n. 0000770-42.2016.8.22.0002.

16/08/2017 10:47
Ariquemes

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Fonte:Rondoniavip


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De Jornal Rondônia VIP
O Tribunal do Júri foi adiado para o mês de outubro. (Foto: Sérgio Sussumu Suganuma)

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

COMUNIDADES REALIZAM VIGÍLIA POR JUSTIÇA E PAZ NO CAMPO

                             


                       Tribunal do  Júri   é suspenso em Ariquemes, Rondônia.


            Uma vigília de oração ecumênica foi realizada na noite do dia 14 de Agosto de 2017 na  Comunidade São Jose, cidade de Ariquemes, no Vale do Jamari, em Rondônia. 

O ato reuniu pessoas de várias comunidades e de diferentes   denominações religiosas  que, numa vigília de oração, clamaram  por justiça e  paz no campo. Foram nominalmente lembradas as 56 pessoas que, em Rondônia, a violência no campo ceifou no período de 2015 a julho de 2017, conforme registro da Comissão Pastoral da Terra - CPT. A maioria das mortes aconteceu na região do Vale do Jamari.

A vigília contou com a participação de agentes de diversas Pastorais, membros de Comunidades Eclesiais de Base - CEBs, professores, advogados, estudantes, agricultores assentados pelo INCRA  no 14 de Agosto, bem como algumas famílias que sofrem ameaça de despejo na Área do Canaã, representantes de movimentos sociais tais como: Movimento dos Atingidos por Barragens - MAB, Movimento dos Trabalhadores Sem Terra - MST, Movimentos dos Pequenos Agricultores – MPA e Liga dos Camponeses Pobres -  LCP. 


                                     
          Figura 1 - Vigília pela justiça e pela paz no campo em Ariquemes 15.8.17 - foto Francisco Kelvim - Mab



                                                 JULGAMENTO ADIADO
              A vigília de oração foi programada e realizada na noite anterior ao dia em que estava agendado o julgamento dos supostos mandantes e executores das mortes ocorridas na fazenda Tucumã no inicio de 2016. Vale lembrar que foram assassinados dois jovens, Alysson Henrique Lopes, de 23 anos, e Ruan Hildebrandt Aguiar, de 18 anos. Correlacionado ao mesmo acontecimento, no dia 31 de janeiro de 2016 houve também a tentativa de assassinato de mais três testemunhas em Cujubim.  

          Quando voltavam do antigo acampamento Terra Nossa, onde tinham ido para recolher alguns de seus pertences depois de terem sido despejados, cinco jovens sofreram uma perseguição implacável, uma verdadeira caçada humana. Três deles conseguiram escapar enquanto Alysson e Ruan não tiveram a mesma sorte. O corpo do primeiro apareceu carbonizado no carro do seu pai. 


                                          
                                               

                                               PERMANECE A IMPUNIDADE

              Apesar da insistência dos pais a fim de que fossem realizadas buscas minuciosas quanto ao paradeiro de Ruan, este nunca foi encontrado.

            Diligências apontaram para o suposto envolvimento de Policiais Militares. Ao que tudo indica, estes realizavam um trabalho de vigilância privada da Fazenda Tucumã.  Mais tarde foram apreendidas armas pesadas e realizadas diversas prisões.

              Após isso, uma força tarefa da polícia civil investigou o caso e o Ministério Público apresentou acusações contra o pecuarista de Ji Paraná Sérgio Sussuma Suganuma. A acusação que versa sobre ele é de ter gerenciado a contratação da equipe de pistolagem de Rivaldo de Souza e Moisés Ferreira de Souza, sargento da reserva da PM. 

        Também foram acusados Jonas Augusto dos Santos Silva, cabo da PM e Paulo Iwakami, contador de Ji Paraná e proprietário da Fazenda Tucumá. O MP também acusou Altacício Domingues dos Santos, soldado da PM de Cujubim; Marcos José Terêncio, também soldado da PM; Donizete Silva do Nascimento, soldado da PM; Paulo Diego de Castro Francisco, soldado da PM de Cujubim,. Contudo, apenas os cinco primeiros foram pronunciados para o tribunal do júri que os deve julgar por emboscada, perseguição, promessa de pagamento para o cometimento dos crimes, ocultação de um cadáver e carbonização de outro, por dois homicídios consumados (Alysson e Ruan) e três tentativas de homicídio contra Renato de Souza Benevides, Raimundo Nonato dos Santos e Alessandro Esteves de Oliveira. 



                                            


                  Além do mais, não demorou muito para que fosse desencadeada também uma caçada de testemunhas. Um dos sobreviventes, Raimundo Nonato dos Santos, sofreu um atentado o dia 14/04/2016. Um colaborador da fazenda, o mototaxista Zé Bigode, foi assassinado em Cujubim, por suposta queima de arquivo. Dois jornalistas da cidade que cobriam os fatos sofreram atentados e tiveram que fugir. Em 2017 foram assassinadas duas lideranças do Acampamento Terra Nossa: Roberto Santos Araújo (02/02/17) e Ademir de Souza Pereira (07/07/2017). Outra testemunha, Elivelton Castelo do Nascimento, o Tom, foi morto em Ariquemes (15/02/2017). Outro dos sobreviventes, o Baixinho, Renato Souza Benevides, foi assassinado em Machadinho o dia 04/03/17. 



                                    
                            Figura 3 Raimundo dos Santos recuperando do atentado. CPT RO

            No dia 15 de agosto, o juiz responsável suspendeu o julgamento em decorrência da ausência, por motivo de saúde, de um dos advogados da defesa e desistência, de última hora, de outro advogado. O júri foi remarcado para o mês de outubro. 

terça-feira, 8 de agosto de 2017

Brasil é líder em mortes por conflitos fundiários,


 destaca relatório da Global Witness



Em 2016, o País registrou 49 assassinatos de defensores do direito à terra. Documento traz recomendações para enfrentamento ao problema
Embora os conflitos agrários sejam um fenômeno global, 60% das mortes no campo em 2016 ocorreram na América Latina. O Brasil lidera o ranking de assassinatos (49), seguido por Colômbia (37), Filipinas (28), Índia (16), Honduras (14), Nicarágua (11), República Democrática do Congo (10), Bangladesh (7), Guatemala (6) e Irã (3).
Os dados são do relatório “Defender la Tierra – Asesinados globales de defensores/as de la tierra y el medio ambiente en 2016”, produzido pela Global Witnesss, organização internacional que avalia vínculos entre conflitos e a exploração de recursos naturais, pobreza e direitos humanos.
Desde que instituição passou a publicar seus dados, este foi o ano com maior registro de mortes, evidenciando uma tendência de expansão preocupante. “Enquanto o relatório de 2015 apontou casos semelhantes em 16 países, em 2016 o número saltou para 24 nações”, destaca a Global Witnesss.
Segundo o documento, esta onda de violência é impulsionada por uma intensa luta pela terra e recursos naturais, com destaque na atuação de grandes empresas – sendo a mineração o setor mais mencionado. “À medida em que mais projetos de extração foram impostos às comunidades, muitas das pessoas que se atreveram a levantar a voz e a defender seus direitos foram brutalmente silenciadas”, aponta o documento.
Brasil – De acordo com o estudo, o Brasil tem sido sistematicamente o país mais funesto para defensoras e defensores do meio ambiente e da terra. “Apesar do chocante e crescente número de assassinatos, o governo brasileiro tem, na verdade, diminuído a proteção a defensores ambientais", denuncia a Global Witness ao criticar o desmantelamento do Ministério dos Direitos Humanos e o Programa de Proteção aos Defensores dos Direitos Humanos, que conta com "poucos recursos e é ineficaz”, destaca o texto.
Recomendações – O relatório traz uma série de recomendações a governos e atores do sistema de justiça para o desenvolvimento de ações voltadas à prevenção e enfrentamento ao problema. Entre elas, a necessidade de que os poderes públicos adotem medidas para reconhecer o importante papel dos defensores do direito à terra, proporcionando condições para sua atuação e proteção. O documento também pede que os responsáveis por ações de violência sejam responsabilizados e que o direito à terra seja respeitado e protegido, especialmente áreas indígenas e de comunidades tradicionais.
Acesse aqui a íntegra do relatório Defender la Tierra.
Atuação da PFDC – A necessidade de ações voltadas ao combate à violência no campo e à proteção do direito à terra tem mobilizado esforços da Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão, do Ministério Público Federal.
Uma das primeiras medidas adotadas pela nova gestão da PFDC assumida em 2016 foi a instalação do Fórum por Direitos e Contra a Violência no Campo. Inspirado em experiência da década de 1990, o colegiado ressurgiu como agente articulador dos diversos segmentos afetados pelo encolhimento dos espaços de diálogo e pela desarticulação de estruturas voltadas à questão do campo no Brasil.
O diálogo estabelecido com os movimentos e organizações que atuam na área, subsidiou a atuação da PFDC para cobrar de órgãos governamentais ações para impedir o desmonte de políticas públicas destinadas à reforma agrária, à delimitação das terras dos remanescentes das comunidades quilombolas e à promoção do desenvolvimento sustentável dos agricultores rurais familiares.
A Procuradoria também defendeu a inconstitucionalidade do Acórdão Nº 755/2016do Tribunal de Contas da União (TCU), que suspendeu a política de reforma agrária no Brasil, e tem sido agente articulador pelo fim de conflitos fundiários em regiões como AnapuRedenção e Curianópolis, no estado do Pará, tendo sediado em maio deste ano o Ato Denúncia Por Direitos e Contra a Violência no Campo – encontro que reuniu mais de 200 trabalhadores rurais, indígenas, quilombolas, defensores de direitos humanos, parlamentares e ativistas por justiça e paz no campo e que resultou numa carta pública de compromissos.
A PFDC também apontou a inconstitucionalidade da Medida Provisória 759, editada pelo Governo Federal e que modificou diretrizes legais sobre a regularização de terras urbanas e rurais no País. Em conjunto com seu Grupo de Trabalho sobre Reforma Agrária, a Procuradoria dos Direitos do Cidadão estuda a adoção de medidas contra a Lei 13.465/2017, resultante da MP 759, além de estratégias relacionadas a processos de reintegração de posse e de uma força-tarefa voltada à prevenção de conflitos fundiários e ao combate à impunidade nos estados do Pará e de Rondônia, entre outras ações.

Procuradoria Federal dos Direitos
do Cidadão (PFDC/MPF)
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sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Carta Pública do Seminário: Justiça Sócio Ambiental na Amazônia, a Construção do Bem Viver, no Campo e na Cidade




 Política e Economia à Serviço da Vida

 “A política não deve submeter-se à economia, e esta não deve submeter-se aos ditames e ao paradigma eficientista da tecnocracia. Pensando no bem comum, hoje precisamos imperiosamente que a política e a economia, em diálogo, se coloquem decididamente ao serviço da vida, especialmente da vida humana...” Laudato Si,189.

À luz destas palavras do Papa Francisco, nós, os representantes das 3 dioceses do estado de Rondônia: Arquidiocese de Porto Velho, Diocese de Guajará-Mirim, Diocese de Ji-Paraná, Centro de Estudos Bíblicos (CEBI), Organizações da Sociedade Civil e Movimentos Sociais, reunidos no Centro Diocesano de Formação, durante os dias 28 a 30 de julho de 2017, refletimos o tema: Justiça Sócio Ambiental na Amazônia: a Construção do Bem Viver, no Campo e na Cidade. “A criação geme e sofre dores de parto.” (Rm 8,22)

Ouvindo os clamores dos povos da floresta, do campo, das águas e da cidade, constatamos a progressiva, autoritária e violenta perda dos direitos conquistados através de muitas lutas ao longo da nossa história, onde o poder econômico se tornou o parâmetro de todos os poderes constituídos, uma espécie de “deus mercadológico” que transforma tudo em mercadoria e destrói tudo aquilo que não comungue com seus interesses capitalistas excludentes, sejam a terra, as águas, as florestas, os povos e seus saberes ancestrais.

As conseqüências destas ações se explicitam na:
- violência e assassinato de indígenas, posseiros (as), sem-terra, trabalhadores (as) rurais quilombolas, extrativistas e defensores (as) dos direitos humanos;
- mudanças repentinas das leis que regulam e garantem os direitos dos mais fracos à terra e sua posse, trabalho, educação, saúde, previdência e proteção social, meio ambiente, impostas de cima para baixo, orquestrada com o poder midiático,  sem que haja a menor participação do verdadeiro ator político, o povo soberano;
- desmatamento, poluição, exploração dos recursos naturais, uso abusivo de agrotóxicos, esgotamento do solo, destruição de nascentes;
- a subjugação do poder político ao econômico criminalizando e fragilizando a organização e participação popular democrática.
 Provocados e provocadas pelas palavras do Papa Francisco que nos convida a uma radical conversão ecológica e social em defesa da Mãe Terra, Nossa Casa Comum, dádiva de Deus, somos convocados (as) a agir.  “O tempo para encontrar soluções globais está acabando. Só podemos encontrar soluções adequadas se agirmos juntos e de comum acordo. Portanto existe um claro, definitivo e improrrogável imperativo ético de agir”. (Papa Francisco)

Renovados (as) e motivados (as) pelos exemplos de experiências coletivas de Bem Viver que vem dos e com os (as) pequenos (as) e pobres, voltamos para nossas comunidades e territórios com esperança e na certeza de que, somente através da união, solidariedade, organização construiremos novas relações geradoras de Vida Plena.
  Ji-Paraná/RO, 30 de Julho de 2017

Instituto Pe Ezequiel Ramin-IPER
Diocese de Ji-Paraná
Diocese de Guajará-Mirim
Arquidiocese de Porto Velho
Missionários Combonianos
Serviço Pastoral dos Migrantes- SPM
Centro de Estudos Bíblicos- CEBI
Comissão Pastoral da Terra- CPT/RO
Conselho Indigenista Missionária - CIMI
Pastoral da Saúde
Movimento dos Trabalhadores Sem Terra – MST
Movimento dos Atingidos por Barragem – MAB
Coletivo Luzinei Barreto
Movimento dos povos indígenas de Rondônia
Grupo de agroecologia Bem Viver
Movimento dos Pequenos Agricultores - MPA


quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Bispos da área social da Conferencia Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB, em mensagem, falam do desmonte da legislação trabalhista e social


Os bispos que compõem a Comissão Episcopal Pastoral para a Ação Social Transformadora e os referenciais das Pastorais Sociais da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) publicaram uma mensagem ao final do encontro realizado em Brasília, nos dias 31 de julho e 1º de agosto. Na ocasião, os prelados procuraram “luzes para a atuação da Igreja no Brasil frente aos novos desafios da nossa realidade”.
“Clamam aos céus, hoje, as muitas situações angustiantes do Brasil, entre as quais o desemprego colossal, o rompimento da ordem democrática e o desmonte da legislação trabalhista e social”, lê-se no texto. Para os bispos, o governo, em lugar de fortalecer o papel do Estado para atender as necessidades e os direitos dos mais fragilizados, favorece os interesses do grande capital, sobretudo financeiro especulativo, penalizando os mais pobres, por exemplo com a reforma da previdência, “falsamente justificada”.
“Interpelados pelo Espírito do Senhor”, dizem no texto, os mebros da comissão e referenciais das Pastorais convidaram comunidades eclesiais, organismos do Povo de Deus e pessoas de boa vontade “a implementar ações que transformem em esperança as apatias e frustrações da sociedade brasileira”.
O encontro aconteceu na sede das Pontifícias Obras Missionárias (POM) e teve assessoria do padre José Oscar Beozzo. As reflexões foram inspiradas no Concílio Vaticano II, particularmente na Constituição Pastoral Gaudium et Spes (Alegria e Esperança). A partir da II Conferência do Episcopado Latino-americano e caribenho, realizada em Medelín, há 49 anos, foi feito um resgate da aplicação do texto conciliar no continente, “reavivando e atualizando suas intuições e compromissos fundamentais no contexto da atual transformação social”.
Leia a mensagem dos bispos na íntegra:

MENSAGEM DOS BISPOS DAS PASTORAIS SOCIAIS
“Eu vi… e ouvi o clamor do meu povo” (Ex 3,7)

Nós, Bispos da Comissão Episcopal Pastoral para a Ação Social Transformadora e Referenciais das Pastorais Sociais, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), reunidos em Brasília, na sede das Pontifícias Obras Missionárias, nos dias 31 de julho e 1º de agosto de 2017, procuramos luzes para a atuação da Igreja no Brasil frente aos novos desafios da nossa realidade, hoje.

Contando com a magnífica assessoria do Pe. José Oscar Beozzo, inspiramo-nos no Concílio Vaticano II, particularmente na Constituição Pastoral Gaudium et Spes (Alegria e Esperança), resgatando sua aplicação na América Latina e no Caribe, a partir da 2a. Conferência Episcopal deste Continente, em Medellín, cujo aniversário de 50 anos celebraremos em 2018, reavivando e atualizando suas intuições e compromissos fundamentais no contexto da atual transformação social.

Reconhecendo que não há realidade alguma, verdadeiramente humana, que não encontre eco no coração de Cristo (cf. Gaudium et Spes, nº 1), entendemos que a Igreja tem por missão pastoral atuar frente à globalidade da realidade, particularmente as situações que geram sofrimentos humanos, com a mesma compaixão de Jesus Cristo.

“Para levar a cabo esta missão, é dever da Igreja estar atenta a todo momento aos sinais dos tempos, e interpretá-los à luz do Evangelho; para que assim possa responder, de modo adaptado em cada geração, às eternas perguntas dos homens acerca do sentido da vida presente e futura, e da relação entre ambas. É, por isso, necessário conhecer e compreender o mundo em que vivemos, as suas esperanças e aspirações, e o seu carácter tantas vezes dramático” (Gaudium et Spes, nº 4).

Clamam aos céus, hoje, as muitas situações angustiantes do Brasil, entre as quais o desemprego colossal, o rompimento da ordem democrática e o desmonte da legislação trabalhista e social. O governo, em lugar de fortalecer o papel do Estado para atender as necessidades e os direitos dos mais fragilizados, favorece os interesses do grande capital, sobretudo financeiro especulativo, penalizando os mais pobres, por exemplo com a reforma da previdência, falsamente justificada.

Não seremos um país diferente sem superarmos a ingenuidade, a passividade e a indiferença. Urge-nos, portanto, como Igreja, realizar nossa missão pastoral em profunda comunhão, com coragem profética, promovendo e fortalecendo ações comuns com todos os setores democráticos deste país, em favor de novos rumos para a sociedade brasileira, fundados na dignidade humana de todos os cidadãos e cidadãs e no bem comum.

Interpelados pelo Espírito do Senhor, convidamos nossas comunidades eclesiais, os organismos do Povo de Deus e todas as pessoas de boa vontade a implementar ações que transformem em esperança as apatias e frustrações da sociedade brasileira, afinal, como diz o Papa Franscisco, o coração de Deus é e continuará incandescente por amor a seu povo (cf. Audiência Geral, 26 de abril de 2017). Assim, também, estejam, hoje e sempre, os nossos corações!

Que Nossa Senhora Aparecida, a quem expressamos nosso louvor especial neste Ano Mariano, nos inspire a revelar o rosto misericordioso de Deus, defensor da justiça em favor dos empobrecidos, sendo sinais e instrumentos da ação libertadora e humanizadora de Cristo, frente às novas formas de escravidão dos tempos atuais.
Brasília, 1º de agosto de 2017.



Dom Guilherme Antonio Werlang, Msf
Bispo de Ipameri/GO
Presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Ação Social Transformadora